domingo, 15 de maio de 2016

Os idólatras de Israel


O povo judeu tem uma aversão especial pela idolatria e que resulta da interpretação (à letra) de um dos mandamentos do decálogo: "Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam." Exodo 20:3-5

O mandamento inclui estátuas e figuras de homens e animais. Os cristãos são mais sofisticados; os Católicos são o que por cá se vê; os Ortodoxos retiraram as estátuas e usam ícones, figuras em duas dimensões; os Evangélicos não têm qualquer problema com bibelôs decorativos ou imagens desenhadas, pois desde que não "seja para adoração", está tudo bem.


Mas, entretanto no meio cristão surgiu um novo tipo de idolatria: Israel. A obsessão parece ter começado com as viagens à "Terra Santa" e as "alucinações" são de ordem muito variada:

- Na Terra Santa tudo é sacro: O Santo Sepulcro, a Via Sacra, A Cidade Santa, A Jerusalém Celestial (na terra), A Igreja da Natividade, O Monte das Beatitudes, etc., etc., ..;
- Na Terra Santa tudo é profético. Cada monumento, lugar, evento, tem uma consequência no futuro;
- Israel é o povo Santo. Por mais promíscuos que sejam, isso não importa, "tá" na Bíblia que é Santo, portanto é Santo, acabou;
- Israel é o
Povo Escolhido. Nos dias de hoje não se consegue perceber bem o que esta afirmação quer dizer ou a que tipo de Israel a expressão se aplica, atendendo a que o sistema de governo actual não é Teocrático nem Monárquico;
- Uma pequena percentagem de peregrinos fica enredado numa teia mental de confusão e misticismo;
- Alguns cristãos convertem-se ao Judaísmo.

No outro extremo:
- Há quem seja tão anti-sionista que nem cita Israel no púlpito e outros chegam ao cúmulo de uma edição da Bíbia sem a palavra "Israel" nos seus textos;
- Jerusalém ou Meca tanto faz;
- A Igreja é o Israel de hoje;
- Israel "já era", agora é
Palestina.

Entre os dois extremos temos os adoptam as práticas do culto messiânico (Igreja de Israel ou dos judeus convertidos a Yeshua) e de uma forma mais ou menos atabalhoada, mais ou menos calendarizada, conseguem conciliar as duas culturas de culto.

Pessoalmente, tenho grande abertura a celebrações evangélicas que dêm ênfase à Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos, porque eles lembram três grandes pilares do cristianismo:

  • A expiação de Jesus, o Cordeiro de Deus que na cruz tornou a salvação possível a toda a humanidade;
  • A Lei e a presença do Espírito Santo de Deus na vida do crente e da Igreja;
  • O nascimento do Salvador e o seu regresso conforme a Sua própria promessa.
Mas o problema maior não é as práticas, as que não anulam a cruz, evidentemente. O problema é a ignorância sob a condição e a a necessidade presente do Israel de hoje. O problema é que a ignorância conduz a um sentimento de superioridade, orgulho e até mesmo ódio. Há cristãos (ignorantes) que não toleram os árabes e tornam-se por isso racistas; há cristãos fanáticos que perderam o tino crítico a respeito da sociedade israelita! "Stand for Israel" nunca pode ser mais do que "Stand For Yeshua"; e depois há os que ficam tão zangados com estas loucuras que batem com a porta a tudo o que quer que se relacione com Israel (excepto Bíblia e Malaquias 3:10). E por causa disso, só para chatear, nem sequer pôem o pés em Israel.

Pode dizer-se que a idolatria que hoje em dia muitos nutrem por Israel é comparável àquela que Jesus encontrou no coração dos Judeus pelo Templo no Monte Moriá. Até os discípulos de Jesus estavam alucinados com aquela maravilha esplendorosa que anunciava ao mundo a superioridade do Deus de Israel. De facto, o Deus de Israel era e É superior a todos os outros deuses, mas o povo não. Ouçam o que os profetas disseram a respeito do povo de Israel...

"Derrubai este santuário e em três dias o edificarei", (João 2:19) foi resposta de Jesus aos idólatras vendilhões do templo. "... não ficará pedra sobre pedra", foi o que Jesus respondeu aos discípulos encantados com as pedras e a estrutura do Templo. Jesus disse ainda que a Sua própria Palavra estava acima dos céus e da terra.

Ainda Jesus disse também, tome nota disto claramente:

"Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei..." Mateus 5:34, 35.

Porque não se deve jurar por Jerusalém? Porque ela é a cidade do grande Rei! Quem é superior, Jerusalém ou o Rei? Então se Jerusalém é inferior como é que muitos cristãos adoptam um comportamento similar aos discípulos que Jesus censurou?

Quando um cristão está a defender Israel dos ataques anti-semitas e anti-sionistas não pode esquecer-se que está a defender um Israel que é
político, laico e não religioso! Esta é uma confusão em que incorrem os defensores pouco esclarecidos e claro, tornam-se presas fáceis dos argumentos dos crentes mais informados, que fazem de acusações secas "fanáticos" e até mesmo "judaizantes". E com razão, pois argumentar com desconhecimento de factos roça perigosamente o fanatismo.

Como conciliar as coisas então? Como é que um cristão pode defender Israel?

Primeiro. 

Um pequeno resumo histórico: Israel foi eleito para que através da promessa feita a Abraão. Em consequências, todos, judeus e gentios, pudem ter acesso à Salvação que Deus tinha de antemão preparado antes da fundação do mundo. Essa Salvação, concedida a Israel e à Humanidade, porém, só estaria disponível através do sacrifício de um Cordeiro. É por isso que Israel é POVO ESCOLHIDO, para que através da linhagem de Abraão o Cristo fosse dado à humanidade. ESCOLHIDO é diferente de PRIVILEGIADO, não confunda: Israel não tem sido privilegiado por ninguém, tem sido é VIGIADO por Deus, para os conservar até ao dia de hoje.

Quer para Israel, quer para todos os outros, ou melhor, para cada pessoa INDIVIDUALMENTE a Salvação só é concedida a quem aceitar esse sacrifício e se converter ao Messias deles (e nosso).

Efectivamente, é evidente que Israel é um milagre de Deus entre as nações do mundo. E apenas os crentes em Deus conseguem distinguir isso, nem todos, mas pelo menos uma grande parte. Do mesmo modo que Deus os suporta, porque prometeu a eles que o faria, também nos suporta a nós pois por vezes caminhamos muito longe d'Ele. Para os que estão a ler isto e ainda não estão convencidos desta verdade, pergunto-lhe: Você é assim tão atrevido que seja capaz de questionar Deus a respeito da forma como Ele está a conduzir a Humanidade para um desfecho final do cumprimento do seu propósito?

Vamos colocar as coisas assim: Israel (assim como todas as nações) é um "problema" de Deus. O nosso foco é O Deus (de Israel) e o seu Enviado. Idolatrar Israel é uma ofensa contra Deus e "rouba" o lugar que lhe pertence. O nosso foco é que a Salvação chegue a todos os povos,
ao judeu inclusive. Alguns dirão "ao judeu primeiro!", ok, ok, calma... cada um com as suas prioridades, isso é pessoal.

Os idólatras com este comportamento ingénuo muito próximo da ignorância apenas prejudicam Israel e não edificam nada. Líderes cristãos bem formados não gostam de ver os seus crentes a comentar levianamente, especialmente, porque isso dá-lhes uma sensação de que são incompetentes a formar os seus membros. 

Daí, porque Israel de facto não é nem tem que ser uma prioridade nos seus púlpitos, o mais fácil é atacar tudo quanto é judaico, tudo o que é símbolo judaico, tudo o que diz respeito a Israel. E isso, sinceramente, é desconfortável para todos pois abre um fosso ainda maior entre os cristãos, os Evangélicos, evidentemente, pois está claro que este é um projecto neste sector da cristandade.

Segundo.

Informe-se e estude. Aprenda a distinguir política de profecia e o laico do religioso. Dá trabalho mas é compensador também.

Pense nisto: Israel começou com Deus. Jacó teve um encontro com Deus e mudou de nome. Muitos anos mais tarde e de acordo com os profetas, no tempo certo, Israel tocou de perto a Salvação de Deus mas rejeitou-a.

"O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida." I João 1:1

Segundo Romanos capítulo 11 haverá uma nova oportunidade para Israel. Como isso acontecerá é matéria que ultrapassa a nossa missão enquanto (projecto) Cristãos Sionistas Portugueses, pelo menos neste blog. Evitamos a escatologia pois não desejamos a controvérsia mas o consenso.

Argumentar religiosamente a uma questão política é muito pobre e faz com que o nosso interlocutor conclua que somos uns alienados, místicos, fanáticos ou outra coisa qualquer. Nesta questão de política e religião é preferível que você se comporte o Judeu com a carne e o leite: podem comer-se ambos mas separadamente.

Qualquer pessoa que assume uma causa deve formar-se para ter uma argumentação mesmo em na maior parte das áreas periféricas. É verdade que grande parte delas são uma total perca de tempo mas um bom "profissional" em qualquer área tem que agir desta forma.

Esperamos que entenda que não desejamos impor nenhuma nova forma de pensamento relativamente às questões relacionadas com Israel, apenas desejamos que com o nosso contributo tire as suas próprias conclusões e intervenha de uma forma mais saudável e construtiva.

Percebemos, pela nossa exposição pública, que os conteúdos sobre estas matérias são excassas e como tal aqui está o nosso modesto contributo.

Deus abençoe.

2 comentários:

  1. Perfeito,muito bom texto. Apenas alerto que o cidadão que aparece na foto se auto intitula bispo e tem por nome Macedo ele de maneira alguma é um fanático por Israel ou pelo povo judeu simplesmente ele identificou uma nova forma de arrancar dinheiro dos tolos supersticiosos e fanáticos que idolatram essa nação que eu amo assim como por exemplo também amo o Brasil por ser brasileiro e Portugal por minhas origens portuguesas?

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    1. Obrigado Marcelo pelo reparo. Às vezes não sabemos que foto escloher e optamos por uma qualquer que esteja relacionada com o temo. Concordo em absoluto com o comentário.

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